Cesta básica volta a subir e pressiona orçamento das famílias em Mato Grosso

Dados da Fecomércio-MT mostram nova pressão de alta após oscilações em 2025; Cuiabá segue entre as capitais com os maiores custos do país.

O custo da cesta básica voltou a registrar alta no fim de 2025 e início de 2026, refletindo diretamente no orçamento das famílias mato-grossenses. Dados de pesquisas nacionais e estaduais apontam que Mato Grosso acompanha a tendência de elevação observada em grande parte do país, com Cuiabá figurando entre as capitais com os maiores valores médios.

De acordo com a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, divulgada pelo Dieese, o preço da cesta aumentou em 17 capitais brasileiras em dezembro de 2025. Cuiabá aparece entre as cidades com as cestas mais caras do país, com custo médio de R$ 791,29, ficando atrás apenas de São Paulo, Florianópolis e Rio de Janeiro.

No recorte estadual, levantamentos do Instituto de Pesquisa e Análise da Fecomércio Mato Grosso (IPF-MT) mostram que o cenário de alta se intensificou no final do ano. Em novembro de 2025, a cesta básica em Cuiabá custava cerca de R$ 777, o menor valor médio mensal do ano. Já em dezembro, o preço avançou para acima de R$ 780, e no início de janeiro de 2026 voltou a ultrapassar a marca dos R$ 800, indicando um novo ciclo de pressão inflacionária sobre os alimentos essenciais.

Ao longo de 2025, o valor da cesta básica em Mato Grosso apresentou oscilações, alternando períodos de queda e alta. Em outubro, o custo médio já havia superado os R$ 800, chegando a R$ 800,22, enquanto nos meses seguintes houve recuo temporário antes da nova elevação registrada no fim do ano.

Entre os principais fatores que contribuíram para o aumento estão a alta no preço da carne bovina de primeira, que subiu na maioria das capitais brasileiras, impulsionada pela forte demanda interna e externa e pela oferta restrita. Outro item de peso foi a batata, que apresentou aumento expressivo em quase todo o país, influenciada por chuvas e pelo encerramento do período de colheita.

Com a cesta básica entre as mais caras do Brasil, Mato Grosso reforça um cenário de preocupação quanto ao custo de vida. Segundo estimativa do Dieese, considerando o valor da cesta mais cara do país, o salário-mínimo ideal para suprir as necessidades básicas de uma família deveria ser de R$ 7.106,83, quase cinco vezes o mínimo vigente.

O avanço dos preços da cesta básica em MT evidencia o impacto direto da inflação dos alimentos no dia a dia da população e reforça a necessidade de acompanhamento constante dos índices e de políticas que amenizem os efeitos sobre as famílias de menor renda.

Redação: Hedianne Alves - Liberdade FM
Fonte: Dieese