Mudanças climáticas ampliam perdas no campo e já causam prejuízos bilionários no Brasil
Eventos extremos cresceram 960% em duas décadas e agronegócio concentra metade dos danos econômicos, alertam especialistas
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As mudanças climáticas deixaram de ser uma ameaça distante e já impõem impactos concretos e crescentes ao campo brasileiro e à economia mundial. Levantamento da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) revela que o número de secas, enchentes e outros eventos climáticos extremos no Brasil saltou de 639 para 6.772 entre 2003 e 2023 — um aumento de 960% em apenas 20 anos.
Os prejuízos financeiros acompanham essa escalada. Dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg) apontam que, entre 2022 e 2024, os eventos climáticos causaram perdas estimadas em R$ 180 bilhões no país. Desse total, cerca de 50% atingiram diretamente o agronegócio, setor estratégico para o crescimento econômico e a segurança alimentar nacional.
Para especialistas, o cenário tende a se agravar. O meteorologista do Canal Rural, Arthur Müller, alerta que os impactos climáticos extremos devem se tornar ainda mais frequentes e intensos nos próximos anos. “Esses números não só podem continuar crescendo, como podem piorar”, afirma.
O agravamento não se restringe aos danos econômicos. Segundo Müller, as ondas de calor foram, em 2025, os eventos climáticos mais letais no mundo. Na Europa, entre abril e junho, estimativas de serviços meteorológicos indicam entre 17 mil e 20 mil mortes associadas direta ou indiretamente ao calor extremo.
Diante desse cenário, produtores, seguradoras e autoridades públicas são pressionados a repensar estratégias de prevenção, adaptação e mitigação, enquanto os efeitos das mudanças climáticas se tornam cada vez mais visíveis — e custosos — para o campo e para a sociedade como um todo.
Redação: Hedianne Alves - Liberdade FM
