Epidemia Invisível: apostas online destroem famílias e já custam bilhões ao Brasil
Funcionária é suspeita de desviar R$ 1,3 milhão de contas de advogado para apostas online; o vício em jogos como o “Tigrinho” e plataformas de bets provoca endividamento em massa, crise de saúde mental e ameaça se tornar um dos maiores problemas soci
Os jogos de azar online e apostas esportivas se transformaram em um dos maiores problemas sociais do Brasil. Estimativas apontam que as perdas com esse mercado chegam a R$ 38,8 bilhões por ano, afetando principalmente famílias de baixa renda.
Levantamentos indicam que 86% dos apostadores acumulam dívidas e 64% estão negativados. Cerca de 7,5 milhões de brasileiros já tiveram o orçamento comprometido por gastos em plataformas de apostas, deixando de pagar contas básicas para tentar recuperar prejuízos.
Além do impacto financeiro, o vício em apostas — conhecido como ludopatia — cresce de forma preocupante. Especialistas alertam para o aumento de ansiedade, depressão, isolamento social e até risco de suicídio entre dependentes.
O problema também atinge jovens: pesquisas mostram que 34% já adiaram ou abandonaram a faculdade devido às perdas com apostas online. No comércio, o setor já acumula prejuízo estimado em R$ 103 bilhões.
Em Sorriso, no norte de Mato Grosso, um advogado e pecuarista denunciou à polícia o desvio de mais de R$ 1,3 milhão de suas contas bancárias. A principal suspeita é uma ex-funcionária responsável pela administração financeira de seus negócios, que teria utilizado o dinheiro para apostas em jogos eletrônicos.
De acordo com o boletim de ocorrência, a fraude veio à tona na última terça-feira (27), quando a própria funcionária informou ao patrão que faltavam recursos para o pagamento de contas do escritório. Questionada, ela teria confessado inicialmente o desvio de cerca de R$ 55 mil, alegando que o valor havia sido gasto em apostas online.
Após a revelação, o advogado realizou uma análise detalhada dos extratos bancários e constatou que os desvios vinham ocorrendo há aproximadamente quatro meses. O prejuízo total ultrapassa R$ 1 milhão. Segundo a vítima, cerca de R$ 408 mil já foram restituídos, mas ainda restam aproximadamente R$ 970 mil a serem recuperados.
“Ela me confessou um desfalque pequeno, mas, quando fui verificar, percebi que o rombo era muito maior. O valor total chega a aproximadamente R$ 1,3 milhão”, relatou o advogado, que preferiu não ter a identidade divulgada.
As investigações apontam que a suspeita realizava transferências via PIX a partir de três contas diferentes do empresário. Para tentar disfarçar as movimentações, ela devolvia pequenas quantias no mesmo dia. Parte do dinheiro também teria sido enviada para a conta bancária da mãe da funcionária. O caso foi registrado na Polícia Civil, que já iniciou as apurações para identificar o destino dos valores e responsabilizar os envolvidos. A suspeita deverá responder pelos crimes de furto qualificado e apropriação indébita. A investigação segue em andamento.
Apesar da promessa de dinheiro fácil, as chances reais de ganho são mínimas. No caso do “Fortune Tiger”, o prêmio máximo ocorre, em média, uma vez a cada 40 milhões de apostas.
Diante da gravidade do cenário, o governo discute medidas para ampliar a regulamentação e combater práticas abusivas. Especialistas defendem tratamento psicológico para dependentes e campanhas de conscientização.
Para profissionais da saúde, as apostas online já configuram uma nova epidemia nacional — com consequências financeiras e emocionais cada vez mais visíveis.
Redação: Hedianne Alves / Liberdade FM
