Pesquisa com óleo de pequi pode ajudar a controlar diabetes e peso durante gestação

Estudo em andamento é desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso – Campus Araguaia.

Pesquisa com óleo de pequi pode ajudar a controlar diabetes e peso durante gestação

Estudo em andamento é desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso – Campus Araguaia.

Publicado em

 5 de fevereiro de 2026

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Uma pesquisa em andamento na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) – Campus Araguaia avalia o potencial do óleo extraído do pequi para auxiliar no controle do diabetes e do peso durante a gestação. O estudo ainda está na fase de testes em animais, mas já apresenta resultados considerados promissores pelos pesquisadores.

O projeto é desenvolvido pela estudante de Biomedicina Thaís Campos, sob orientação do professor doutor Gustavo Tadeu Volpato. Na manhã desta quarta-feira (4), os pesquisadores convidaram o prefeito de Pontal do Araguaia, Adelcino Lopo, para visitar o laboratório e conhecer o estudo. O município é reconhecido como capital estadual do pequi e está implantando uma agroindústria voltada ao aproveitamento do fruto do Cerrado.

Segundo o professor Gustavo Volpato, a pesquisa surgiu a partir de parcerias e de relatos populares sobre o uso do óleo do pequi para fins medicinais. “A gente fez uma parceria com outros professores que produziam esse óleo e havia relatos de que o pessoal estava usando para determinadas doenças, uma delas o diabetes. Resolvemos testar esse óleo em ratinhas diabéticas gestantes para ver se realmente tem efeito no diabetes e se é seguro durante a gestação”, explicou. De acordo com ele, os resultados iniciais indicam melhora em alguns aspectos da doença e segurança no período gestacional dos animais estudados.

A estudante Thaís Campos destacou que o trabalho segue etapas do método científico. “Temos que avaliar primeiro o fruto, depois testar em animais quais são os efeitos desse óleo em animais e, posteriormente, conseguir analisar em humanos […] neste momento, a pesquisa está em análise em animais, para justamente entender as interações que o óleo de pequi causa no organismo desse animal”, afirmou.

Thaís contou que o óleo utilizado no experimento é extraído da polpa do fruto e administrado por via oral nos animais, de forma semelhante ao consumo humano. “A gente quis que eles ingerissem o óleo pela alimentação, pela via oral, assim como a população costuma utilizar”, explicou a acadêmica.

Para o prefeito Adelcino Lopo, o estudo reforça a importância do pequi que, além de símbolo cultural e gastronômico, também possui potencial para fins medicinais. “[…] é um projeto audacioso, ainda mais sabendo que está sendo desenvolvido no Campus Araguaia. A gente fica feliz da vida saber que o fruto do pequi pode além de ser um alimento gastronômico, pode também ajudar a contribuir na saúde e no desenvolvimento da qualidade de vida das pessoas”, declarou.

Além das atividades na UFMT, a pesquisa já ultrapassou fronteiras. No último ano, Thaís Campos apresentou o trabalho em um congresso internacional na Argentina, com a presença de especialistas de diversos países. “Consegui fazer uma troca de conhecimento e mostrar que a universidade pública é além dos horizontes, ela também faz extensão, rompe os muros da universidade e mostrar que há um retorno para a sociedade, que o investimento que é realizado aqui chega à nossa sociedade”, relatou.

Apesar dos resultados iniciais animadores, o estudo ainda está em desenvolvimento. A expectativa é que a continuidade da pesquisa possa ampliar o conhecimento científico sobre o pequi e abrir caminhos para futuras aplicações na saúde da população.

(Olho no Araguaia)