CARNAVAL TEM 12 REGISTROS DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA EM MT E ACENDE ALERTA PARA DENÚNCIA

15 mulheres foram atendidas em 11 municípios; casos incluem agressões, ameaças, cárcere privado e ocorrem em meio a cenário recorde de feminicídios no Estado

O período de Carnaval, marcado por festas e grande circulação de pessoas, também acende um alerta para o aumento de casos de violência doméstica e assédio. Em Mato Grosso, a Polícia Militar reforçou o policiamento por meio da Patrulha Maria da Penha (PMP), ampliando ações preventivas, fiscalizações de medidas protetivas e atividades educativas durante a Operação Carnaval 2026.

O fim de semana foi marcado por ao menos 12 registros de violência doméstica contra mulheres em Mato Grosso, entre sábado (14) e domingo (15), conforme dados da Polícia Militar de Mato Grosso. Ao todo, 15 vítimas, com idades entre 16 e 64 anos, foram atendidas em 11 municípios.

As ocorrências foram registradas em Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis, Barra do Garças, Sorriso, Guarantã do Norte, Pontes e Lacerda, Mirassol D’Oeste, Nova Olímpia e Poconé.

Os crimes envolvem 12 casos de lesão corporal, três de ameaça, três de dano patrimonial e um de sequestro e cárcere privado — sendo que uma mesma ocorrência pode reunir mais de um crime. Os suspeitos têm idades entre 24 e 50 anos e, na maioria das situações, foram presos em flagrante e encaminhados à Polícia Civil. Todos mantinham vínculo afetivo ou familiar com as vítimas, como marido, companheiro, ex-marido ou padrasto.

Casos graves

Em Várzea Grande, uma mulher de 38 anos e a filha dela, de 16, foram agredidas e mantidas em cárcere privado pelo namorado da mãe. Segundo a PM, o suspeito ingeriu bebida alcoólica, iniciou discussão e passou a agredir a companheira com socos, puxões de cabelo e golpes que chegaram a bater a cabeça da vítima contra a parede. Ele ainda teria ameaçado a adolescente com uma faca. A mulher relatou que as agressões não eram a primeira ocorrência e informou que pretende solicitar medida protetiva.

Em Poconé, uma mulher de 38 anos denunciou o ex-marido poucas semanas após a separação. Conforme o relato, ele a atacou com um capacete, a derrubou da motocicleta e a arrastou pelos cabelos, causando escoriações. Antes de fugir, ainda danificou o veículo.

Já em Rondonópolis, uma mulher de 27 anos foi agredida pelo marido na frente das filhas após uma confraternização familiar. Ela sofreu hematomas no rosto e lesão no nariz. O suspeito também quebrou objetos da residência e agrediu a sogra da vítima.

Feminicídio e cenário preocupante

Os números do fim de semana não incluem o assassinato da professora Luciene Naves Correia, de 51 anos, morta a tiros dentro de casa na segunda-feira (16), em Cuiabá. O principal suspeito é o marido, contra quem a vítima possuía medida protetiva.

O caso se soma a um cenário preocupante. Dados do Observatório Caliandra, do Ministério Público de Mato Grosso, apontam que o Estado registrou 52 feminicídios em 2025 — o maior número desde 2020. Em sete dessas ocorrências, as vítimas tinham medidas protetivas em vigor.

O feminicídio é caracterizado quando o assassinato da mulher é motivado por violência doméstica ou discriminação de gênero e é considerado crime hediondo, com pena que pode chegar a 40 anos de reclusão. Já a violência doméstica é enquadrada na Lei Maria da Penha, que prevê prisão em flagrante, medidas protetivas de urgência e pena de três meses a três anos nos casos de lesão corporal, podendo aumentar conforme agravantes.

Rede de apoio e denúncia

Como ferramenta de apoio, o Governo do Estado disponibiliza o aplicativo SOS Mulher MT (CLIQUE PARA BAIXAR O APP/ANDROID ou CLIQUE AQUI PARA BAIXAR O APP/IOS), que possui botão do pânico para mulheres com medida protetiva ativa em Cuiabá, Várzea Grande, Cáceres e Rondonópolis. O aplicativo também orienta sobre como solicitar medidas protetivas e registrar ocorrência, inclusive de forma online.

As ocorrências evidenciam que a violência contra a mulher não escolhe data nem local — e que o enfrentamento precisa ser constante. A atuação da Patrulha Maria da Penha vai além da repressão: envolve acompanhamento de vítimas, fiscalização do cumprimento de medidas protetivas e ações de conscientização.

O combate à violência contra a mulher é uma responsabilidade coletiva. Denunciar salva vidas, e a prevenção começa com informação, apoio às vítimas e ação imediata diante de qualquer sinal de agressão.

Casos de violência doméstica podem ser denunciados pelo 190, em situações de emergência, ou pelo 180, Central de Atendimento à Mulher. A denúncia é um passo fundamental para interromper o ciclo da violência e evitar que agressões evoluam para casos de feminicídio.

Redação: Hedianne Alves / Liberdade FM (PM/MT)