Polícia Civil combate venda ilegal e furto de medicamentos emagrecedores em Mato Grosso
Crimes podem resultar em até 15 anos de prisão e autoridades alertam para riscos à saúde na compra de remédios clandestinos ou sem prescrição médica
A Polícia Civil de Mato Grosso realizou, nesta semana, ações contra crimes envolvendo medicamentos emagrecedores em diferentes regiões do Estado. As investigações resultaram em apreensões e prisões relacionadas tanto à venda clandestina desses produtos quanto ao furto em farmácias, práticas que além de causar prejuízos financeiros também representam risco à saúde pública.
Em Cáceres, os policiais civis deflagraram a Operação Dose Certa, com o cumprimento de cinco mandados de busca e apreensão. Durante as diligências, foram encontrados medicamentos emagrecedores importados de forma irregular, além de outras substâncias utilizadas em tratamentos médicos que estavam sendo comercializadas ilegalmente.
Em uma das residências alvo da operação, os investigadores localizaram frascos do medicamento conhecido comercialmente como “Monjaro”, produto importado sem autorização ou registro nos órgãos sanitários competentes. O material apreendido foi avaliado em aproximadamente R$ 10 mil.
Em outro endereço, os policiais encontraram tirzepatida, substância utilizada em tratamentos médicos específicos, porém importada de forma ilegal, sem nota fiscal e sem registro sanitário. No local também foram apreendidos anabolizantes importados irregularmente. Um suspeito foi preso em flagrante.
As investigações apontam que os envolvidos se passavam por médicos ou profissionais da área da saúde para oferecer e manipular os medicamentos de forma clandestina, colocando em risco pessoas que buscavam tratamento para emagrecimento.


Segundo o delegado responsável pelo caso, Mauro Apoitia, há indícios de que, em alguns casos, os produtos oferecidos sequer eram aplicados corretamente nos pacientes.
“Existem suspeitas de que alguns frascos poderiam conter apenas substâncias como soro fisiológico, sem qualquer efeito terapêutico. Além de fraude, isso representa um grave risco à saúde pública”, destacou o delegado.
O suspeito detido pode responder pelo crime de falsificação, adulteração ou alteração de produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais, previsto no artigo 273 do Código Penal, cuja pena pode chegar a até 15 anos de reclusão, além de multa.
Já na região metropolitana de Cuiabá e Várzea Grande, policiais da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos de Várzea Grande prenderam mais um integrante de uma quadrilha especializada no furto de medicamentos emagrecedores em farmácias.
A prisão ocorreu após investigações sobre um furto mediante arrombamento registrado em uma farmácia no bairro Centro Sul, em Várzea Grande. Na ação criminosa, os suspeitos invadiram o estabelecimento durante a madrugada e subtraíram dinheiro e medicamentos de alto custo, incluindo canetas emagrecedoras avaliadas em mais de R$ 25 mil.
As apurações indicaram que pelo menos três pessoas participaram do crime, sendo que um dos envolvidos estava armado. O suspeito preso teria alugado um veículo utilizado pelo grupo para dar suporte logístico aos comparsas, levando-os até os locais dos furtos e aguardando nas proximidades para auxiliar na fuga.
Durante a abordagem policial, ele ainda tentou resistir à prisão e quebrou o próprio celular na tentativa de impedir o acesso dos investigadores a possíveis provas.
O suspeito foi autuado em flagrante pelos crimes de furto qualificado, fraude processual, desobediência e resistência, sendo posteriormente colocado à disposição da Justiça.
De acordo com a delegada titular da Delegacia de Roubos e Furtos de Várzea Grande, Elaine Fernandes, além dos prejuízos causados às farmácias, a circulação irregular desses medicamentos pode trazer sérios riscos à população.
“Medicamentos furtados ou vendidos clandestinamente podem ser armazenados de maneira inadequada ou comercializados sem qualquer controle médico, o que representa perigo para quem utiliza esses produtos”, explicou.
A Polícia Civil alerta que a compra de medicamentos sem prescrição médica ou de procedência desconhecida pode causar efeitos colaterais graves, reações adversas e outras complicações à saúde.
As investigações seguem em andamento para identificar outros envolvidos nos esquemas. Informações que possam contribuir com as apurações podem ser repassadas de forma anônima pelo Disque 197 ou diretamente nas unidades da Polícia Civil.
Redação: Hedianne Alves
Liberdade FM (PJC/MT)



