Excesso de chuvas, falta de diesel e aumento de custos preocupam produtores de milho em Mato Grosso

Clima adverso atrasa plantio, encarece produção e gera incerteza para agricultores que já enfrentam dificuldades para abastecer máquinas no campo


 Assista a reportagem completa do Agro Mais com Luiz Bier vice-presidente da Aprosoja. 

Os produtores rurais de Mato Grosso enfrentam um cenário cada vez mais desafiador nesta safra de milho 2025/26. Além do excesso de chuvas que tem atrasado o plantio e prejudicado o desenvolvimento das lavouras, agricultores agora lidam também com a alta nos preços e a dificuldade para encontrar diesel nos postos, combustível essencial para manter as máquinas agrícolas em funcionamento.

De acordo com dados do Instituto Mato-grossense da Economia Agropecuária (Imea), a semeadura do milho já atingiu 93,68% da área prevista no estado. Mesmo assim, o avanço ocorre com mais de 20 dias de atraso em relação à janela ideal de plantio. O cenário é consequência direta dos problemas climáticos registrados desde o final de 2025.

Primeiro, os produtores enfrentaram atraso no plantio da soja por falta de chuva em novembro. Em seguida, o excesso de precipitações dificultou a colheita do grão, atrasando também o início da semeadura do milho. Levantamento do Aproclima, projeto da Aprosoja Mato Grosso que monitora as condições meteorológicas, apontou acumulados de até 900 milímetros de chuva em alguns municípios em apenas 60 dias.

Além de dificultar o trabalho no campo, as chuvas intensas impedem a entrada de máquinas nas áreas de plantio, já que o solo encharcado aumenta o risco de compactação e degradação. Em muitas propriedades, produtores são obrigados a esperar dias seguidos por uma janela de tempo seco para retomar as atividades.

Outro problema causado pelo excesso de água é o prejuízo direto no desenvolvimento das lavouras. A enxurrada pode comprometer o estande das plantas, reduzindo a quantidade ideal de pés de milho por hectare e impactando diretamente na produtividade final.

O diretor financeiro da Aprosoja Mato Grosso, Nathan Belusso, explica que o milho é uma cultura ainda mais sensível às falhas no plantio.

Segundo ele, como o milho utiliza menos plantas por área do que a soja, qualquer perda de população pode causar efeitos significativos na produção final. Por isso, o acompanhamento das lavouras precisa ser constante, principalmente nas regiões que estão mais atrasadas e enfrentando maiores volumes de chuva.

A vice-presidente sul da Aprosoja MT, Laura Battisti Nardes, também alerta para os prejuízos econômicos que podem surgir com o excesso de umidade. De acordo com ela, tanto a chuva quanto o sol em excesso prejudicam a produção agrícola, afetando a quantidade e a qualidade dos grãos.

No caso do milho, a cultura é considerada mais sensível do que a soja, e o excesso hídrico durante fases importantes como germinação, crescimento e floração pode comprometer seriamente o rendimento das lavouras.

Nos municípios monitorados pelo Aproclima, como Diamantino, Nova Mutum, Vera, Sinop, Cláudia, Matupá e Querência, o acumulado de chuva entre 25 de dezembro de 2025 e 25 de fevereiro de 2026 variou entre 700 e 900 milímetros. Em outras regiões do estado, os volumes ficaram entre 150 e 500 milímetros no mesmo período.

Em meio a esses desafios climáticos, produtores ainda enfrentam outro obstáculo: a dificuldade para abastecer máquinas agrícolas. Em algumas regiões do estado já há relatos de falta de diesel em postos de combustíveis, além de aumento significativo no preço do produto, o que encarece ainda mais o custo da produção.

O combustível é indispensável para operações como plantio, colheita e transporte da produção, e qualquer dificuldade no abastecimento pode atrasar ainda mais as atividades no campo.

Produtores relatam que a combinação entre atraso no plantio, risco climático e aumento nos custos gera grande preocupação sobre a viabilidade econômica da safra.

O agricultor Fábio Luis Bratz, do município de Nova Ubiratã, conta que o plantio do milho em sua propriedade já ocorre fora da janela ideal. Segundo ele, após enfrentar atrasos na colheita da soja por causa das chuvas, o plantio do milho também acabou sendo prejudicado.

A maior preocupação agora é com o comportamento do clima nos próximos meses. Caso as chuvas parem antes do esperado durante o desenvolvimento da lavoura, existe o risco de que o milho não consiga atingir todo o seu potencial produtivo.

Mesmo diante das incertezas, muitos produtores seguem com o plantio para tentar minimizar os prejuízos. Com sementes e fertilizantes já adquiridos, a alternativa é apostar em condições climáticas favoráveis nos próximos meses.

O setor agrícola alerta que, além dos impactos nas propriedades rurais, qualquer quebra significativa na produção pode afetar toda a cadeia econômica ligada ao agronegócio, envolvendo transportadores, cooperativas, empresas de insumos e milhares de trabalhadores que dependem da atividade no campo.

Redação: Hedianne Alves
Liberdade FM (Aprosoja MT)

Comentários