Alta do diesel em MT leva Famato a acionar Procon e pedir investigação

Preço do combustível chega a subir mais de 40% em poucos dias e preocupa produtores rurais, que relatam impacto direto em toda a cadeia do agronegócio

A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) protocolou, no início de março, uma denúncia junto ao Procon-MT solicitando a apuração da alta repentina no preço do óleo diesel na modalidade Transportador Revendedor Retalhista (TRR), amplamente utilizada por produtores rurais em compras de grande volume.

A medida foi motivada por uma série de reclamações encaminhadas por produtores, que relataram aumentos expressivos no valor do combustível nas últimas semanas.

Nesta quarta-feira (18), o diretor de Relações Institucionais da entidade, Ronaldo Vinha, esteve pessoalmente no órgão para apresentar documentos complementares, incluindo notas fiscais que evidenciam as variações.

De acordo com dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o preço médio do diesel S500 TRR no estado saltou de R$ 5,83 para R$ 7,47 por litro no dia 9 de março — uma alta de 28% em curto período.

Levantamentos realizados pela Famato apontam situações ainda mais críticas em municípios do interior. Em Alto Taquari, por exemplo, uma compra de 10 mil litros de diesel B S10 foi registrada a R$ 5,58 por litro no dia 2 de março. Já em 11 de março, outra aquisição de 8 mil litros ocorreu a R$ 7,98 por litro, representando aumento superior a 40%.

Em Campo Novo do Parecis, documentos mostram que o diesel S500 comum passou de R$ 6,19 por litro no dia 3 de março para R$ 7,59 no dia 12, reforçando o cenário de elevação rápida e significativa dos preços.

Segundo Ronaldo Vinha, o impacto do aumento vai muito além do abastecimento nas propriedades. “O diesel afeta diretamente o custo do plantio, da colheita, do transporte de insumos e do escoamento da produção. Uma alta abrupta gera prejuízos não apenas ao produtor, mas a toda a cadeia produtiva e logística do agronegócio”, destacou.

Em resposta preliminar, o Procon-MT informou que já iniciou o monitoramento dos postos, especialmente na região da Baixada Cuiabana, e está solicitando notas fiscais de compra e venda dos últimos 30 dias para análise. A intenção é cruzar informações e identificar possíveis irregularidades.

Além da atuação junto ao órgão de defesa do consumidor, a Famato também pretende acionar outras instituições, como o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), a Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor (Decon), a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), ampliando a investigação sobre a formação dos preços do combustível no estado.

O Ministério Público do Estado de Mato Grosso já notificou os postos de combustíveis em Água Boa e segue atuando de forma direta na apuração dos fatos, acompanhando de perto a evolução dos preços no município. A investigação não se limita apenas à cidade, mas se estende a todas as localidades abrangidas pela comarca, reforçando o compromisso das autoridades em coibir possíveis irregularidades, garantir a transparência no mercado e proteger os direitos dos consumidores.

Redação: Hedianne Alves
Liberdade FM 

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