Caminhoneiros suspendem greve após medidas do governo e reforçam importância da tabela de frete

Atualização mais frequente do piso mínimo busca garantir renda aos autônomos e equilíbrio na logística nacional

Os caminhoneiros decidiram suspender a greve que vinha sendo articulada em todo o país após o governo federal anunciar medidas para reforçar a fiscalização da tabela de frete mínimo. A decisão foi tomada em assembleia realizada em Santos (SP), e abriu caminho para uma rodada de negociações entre lideranças da categoria e representantes do governo na próxima semana, em Brasília.

A principal reivindicação da categoria é o cumprimento efetivo do piso mínimo do frete, criado em 2018, mas que, segundo os profissionais, ainda é frequentemente desrespeitado por empresas contratantes. A insatisfação se intensificou com a recente alta no preço do diesel, pressionada pelo cenário internacional, o que elevou os custos da atividade, especialmente para caminhoneiros autônomos.

Em resposta, o governo publicou uma medida provisória que endurece a fiscalização. Entre as mudanças, está o bloqueio da emissão do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) para fretes com valores abaixo do piso mínimo. Na prática, isso impede que cargas sejam transportadas de forma irregular. As penalidades incluem multas que podem chegar a R$ 10 milhões e até o cancelamento do registro de transportadoras.

Além disso, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) terá prazo para regulamentar os novos procedimentos, que já começam a valer. Outra mudança importante é a atualização mais frequente da tabela de frete, que antes ocorria a cada seis meses ou quando havia variação de 5% no preço do diesel. Agora, o reajuste poderá acontecer em intervalos menores, acompanhando com mais agilidade as oscilações do mercado.

A medida é considerada essencial tanto para os caminhoneiros quanto para a cadeia logística do país. Para os profissionais autônomos, a tabela representa uma garantia mínima de remuneração, protegendo contra prejuízos em um setor marcado por custos elevados e margens apertadas. Já para a logística nacional, o cumprimento do piso ajuda a evitar distorções no mercado, promovendo concorrência mais justa e maior previsibilidade nos custos de transporte.

Lideranças da categoria destacam que o frete precisa refletir os custos reais da operação, incluindo combustível, manutenção e pedágios. Sem isso, muitos trabalhadores acabam operando no prejuízo, o que compromete não apenas a renda individual, mas também a sustentabilidade do setor.

Com a suspensão da greve, o foco agora se volta para o diálogo. Caminhoneiros e governo devem discutir novos ajustes na medida provisória, incluindo temas como seguros, condições de trabalho e padronização de regras. A expectativa é que as mudanças consolidem um ambiente mais equilibrado, garantindo segurança jurídica, valorização dos profissionais e eficiência no transporte de cargas em todo o país.

Redação: Hedianne Alves
Liberdade FM (Agencia da Notícia)

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