Polícia Civil desarticula ação de facção criminosa e evita possível execução em Água Boa

Operação conjunta com a Polícia Militar resulta na prisão de quatro suspeitos, apreensão de drogas, arma de fogo e resgate de vítima que seria torturada


A Polícia Civil de Mato Grosso realizou, entre a noite de ontem e a madrugada desta quarta-feira, uma operação que resultou na prisão em flagrante de quatro integrantes de uma facção criminosa atuante em Água Boa. A ação contou com o apoio da Polícia Militar e impediu a possível execução de uma vítima que seria submetida a uma punição interna do grupo, conhecida como “salve”.

De acordo com o delegado responsável pelo caso, Dr Bruno Gomes, os suspeitos já vinham sendo investigados por envolvimento em crimes anteriores. Dois dos detidos, inclusive, utilizavam tornozeleira eletrônica e haviam sido presos recentemente, voltando a cometer crimes poucos dias após serem colocados em liberdade.

Durante monitoramento, a polícia recebeu informações de que uma vítima seria capturada por membros da facção para sofrer tortura ou até mesmo ser morta. As equipes acompanharam a movimentação e flagraram o momento em que o indivíduo foi retirado de sua residência e levado para um imóvel utilizado como cativeiro.

No local, os policiais encontraram a vítima já em processo de imobilização, prestes a sofrer agressões. Além do resgate, foram detidos dois homens e duas mulheres apontados como integrantes da organização criminosa.

Durante as buscas, foram apreendidas porções de maconha e cocaína, além de materiais utilizados para o preparo e comercialização das drogas. Em outro endereço, vinculado a um dos suspeitos, a polícia localizou uma arma de fogo que, segundo as investigações, era utilizada em crimes graves, como ameaças, extorsões e homicídios.

Os suspeitos foram autuados por organização criminosa, sequestro, tortura, tráfico de drogas e fraude processual — este último devido à tentativa de destruição de um aparelho celular para dificultar as investigações.

A vítima foi encaminhada à delegacia, onde prestou depoimento, e passou por exame de corpo de delito. Segundo o delegado, ela foi resgatada sem ferimentos graves e está fora de perigo.

A Polícia Civil segue com as investigações, que também apuram o desaparecimento de uma mulher ocorrido semanas atrás no município. Há indícios de que ela tenha sido morta e que o corpo tenha sido ocultado, com possível ligação com a atuação de facções criminosas.

As autoridades reforçam a importância da colaboração da população, especialmente de comerciantes que possam estar sendo alvo de extorsões. Denúncias podem ser feitas de forma anônima e são fundamentais para o combate ao crime organizado na região.

De acordo com a legislação brasileira, os crimes atribuídos aos suspeitos possuem penas severas. A participação em organização criminosa pode resultar em reclusão de 3 a 8 anos, podendo ser aumentada conforme agravantes. O crime de sequestro e cárcere privado prevê pena de 1 a 3 anos, podendo chegar a até 8 anos em casos qualificados. Já a tortura é punida com reclusão de 2 a 8 anos, podendo ser ampliada se resultar em lesão grave ou morte.

O tráfico de drogas, por sua vez, possui pena de 5 a 15 anos de reclusão, além de multa. A fraude processual pode gerar detenção de 3 meses a 2 anos. Caso haja comprovação do uso de arma de fogo em crimes, outras penalidades podem ser somadas, aumentando significativamente o tempo total de prisão.

As penas podem ser agravadas quando há reincidência, participação de organização criminosa estruturada ou envolvimento em crimes violentos, como os investigados neste caso.

Redação: Hedianne Alves
Liberdade FM (PJC/MT)

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