Ex-governador aponta repasses de R$ 755 milhões de MT a estruturas ligadas ao Banco Master

Durante depoimento à CPI do Crime Organizado, Pedro Taques cita consignados, acordo com a Oi e concessão da BR-163, além de denunciar supostas fraudes que teriam afetado milhares de servidores públicos

O ex-governador de Mato Grosso, Pedro Taques, afirmou que o Estado teria repassado ao menos R$ 755 milhões a estruturas ligadas ao Banco Master desde 2023. A declaração foi feita nesta quarta-feira (25), durante depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, no Senado Federal.

Segundo Taques, os repasses estariam relacionados a três frentes principais: empréstimos consignados, um acordo envolvendo a operadora Oi e a concessão da rodovia BR-163, administrada pela MT Participações e Projetos (MT-PAR).

O ex-governador, que atualmente atua como advogado de entidades representativas de servidores públicos, afirmou que há indícios de irregularidades no sistema de crédito consignado no estado. De acordo com ele, cerca de 45 mil dos 106 mil servidores estaduais possuem contratos de consignado, muitos deles com instituições que, segundo denunciou, não teriam autorização do Banco Central para operar.

Taques classificou essas empresas como “satélites” do Banco Master e afirmou que elas utilizariam nomes semelhantes a instituições financeiras para induzir servidores ao erro. Ele também destacou o aumento significativo das taxas de juros, que teriam passado de cerca de 1,7% para até 5,5%, além da ampliação da margem consignável de 40% para 45%, incluindo beneficiários previdenciários e até programas sociais.

Outro ponto levantado foi a criação de fundos de investimento ligados à concessão da BR-163. Segundo o ex-governador, um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FDIC), administrado por empresa vinculada ao Banco Master, teria recebido cerca de R$ 447 milhões oriundos de recursos estaduais.

Taques também citou investigações da Polícia Federal que apontariam a utilização de fundos administrados por essa empresa para suposta lavagem de dinheiro envolvendo organização criminosa. Ele ainda questionou a participação de integrantes dessas empresas em conselhos ligados à administração da rodovia.

Durante o depoimento, o ex-governador defendeu medidas mais rígidas de combate ao crime organizado, incluindo a criação de um Ministério da Segurança Pública voltado especificamente à proteção de fronteiras e ao enfrentamento de organizações criminosas.

As declarações devem ser analisadas pelos membros da CPI, que apuram a atuação de facções criminosas e possíveis conexões com estruturas financeiras no país. Até o momento, os citados não tiveram suas defesas apresentadas no âmbito da comissão.


Redação: Hedianne Alves
Liberdade FM (Senado Noticias)

Comentários