Aprosoja MT cobra avanços na qualidade da energia elétrica no campo

Entidade reúne demandas de produtores rurais e solicita à Energisa plano de ação para ampliar a rede trifásica, melhorar a manutenção e reduzir oscilações de tensão em Mato Grosso

A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) voltou a cobrar da Energisa avanços na infraestrutura de energia elétrica nas propriedades rurais do estado. Entre as principais demandas estão a ampliação da rede trifásica, a manutenção das faixas de servidão e a melhoria na estabilidade da tensão fornecida aos produtores.

As reivindicações foram levantadas durante reuniões realizadas nos 35 Núcleos da Aprosoja MT, distribuídos em diferentes regiões de Mato Grosso, e foram formalizadas à concessionária durante um encontro realizado na última sexta-feira (14), em Cuiabá.

Entre 2025 e 2026, a entidade realizou 41 reuniões com produtores, reunindo mais de 320 demandas. Além disso, grupos de comunicação mantidos entre produtores e a equipe da concessionária registraram outros 2.160 relatos relacionados ao fornecimento de energia.

Segundo o presidente da Aprosoja MT, Lucas Costa Beber, a deficiência na infraestrutura elétrica representa um dos principais gargalos para o desenvolvimento do setor produtivo, especialmente em atividades que dependem de maior disponibilidade de energia, como irrigação e armazenamento de grãos.

“Algumas localidades ainda têm limitação na quantidade de energia disponível e o trifásico não chega a todos os lugares. Mato Grosso precisa avançar nesse sentido para se desenvolver ainda mais”, afirmou.

Paranatinga concentra problemas na rede rural

Um dos exemplos apresentados pela entidade é Paranatinga, município de grande extensão territorial e com forte atividade agropecuária. De acordo com produtores da região, parte da infraestrutura elétrica foi instalada antes da expansão agrícola registrada nas últimas décadas.

Entre os problemas apontados estão postes em más condições, fios em altura inadequada, interrupções frequentes, transformadores com capacidade limitada e falta de rede trifásica em determinadas áreas rurais.

A ausência do sistema trifásico também pode elevar os custos de novos investimentos. Conforme relatado pelo delegado coordenador do Núcleo da Aprosoja MT em Paranatinga, Jean Marcell Benetti, uma propriedade da região precisaria investir cerca de R$ 2 milhões para instalar aproximadamente 17 quilômetros de rede privada trifásica para atender um novo armazém.

Manutenção das redes também preocupa produtores

Outro ponto considerado urgente pela Aprosoja MT é a manutenção das faixas de servidão das linhas de energia. A preocupação aumenta durante o período de estiagem, quando a vegetação seca pode favorecer incêndios em áreas próximas à rede elétrica.

A entidade também relata ocorrências envolvendo árvores em contato com fios e equipamentos que podem apresentar falhas ou provocar faíscas, aumentando os riscos para propriedades rurais e áreas de vegetação.

Para os produtores, o reforço das equipes responsáveis pela manutenção e limpeza das redes é necessário para melhorar a prevenção e agilizar o atendimento.

Entidade pede plano de ação à Energisa

De acordo com o diretor administrativo da Aprosoja MT, Diego Bertuol, houve avanços no diálogo com a concessionária, mas a entidade agora cobra que as medidas discutidas sejam efetivamente colocadas em prática.

“Avançamos no diálogo e no planejamento; precisamos avançar na execução”, afirmou.

Em ofício entregue ao diretor-presidente da Energisa, Marcelo Vinhaes, a Aprosoja MT solicitou a apresentação de um plano de ação para as demandas encaminhadas pelos produtores, com definição de prazos e acompanhamento dos resultados.

A associação também pediu a criação de um protocolo específico nos canais de atendimento para o registro de oscilações de tensão por consumidores do Grupo B e solicitou participação na instância de governança do Programa MT Trifásico.

Para a Aprosoja MT, a oferta de energia elétrica estável, de qualidade e compatível com as necessidades das propriedades rurais deixou de ser apenas uma questão operacional e passou a ser considerada uma infraestrutura essencial para a competitividade e expansão do agronegócio em Mato Grosso.

Redação: Hedianne Dutra | Liberdade FM

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