Brasil terá primeira fábrica do mundo de pele de tilápia para tratamento de queimaduras
Unidade em Jaguaribara no Ceará receberá investimento superior a R$ 52 milhões e transformará subproduto da piscicultura em curativos biológicos
O Ceará deverá receber a primeira fábrica do mundo dedicada à produção em escala industrial de curativos biológicos feitos com pele de tilápia. O empreendimento será instalado em Jaguaribara, no Vale do Jaguaribe, próximo ao Açude Castanhão, importante polo da piscicultura no estado, e prevê investimento superior a R$ 52 milhões.
A tecnologia foi desenvolvida pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e utiliza a pele da tilápia processada, esterilizada e liofilizada para aplicação no tratamento de queimaduras e feridas de difícil cicatrização. O material poderá ser armazenado em temperatura ambiente por até três anos e, antes do uso, deverá ser reidratado com solução fisiológica.
A industrialização permitirá ampliar significativamente a produção. Atualmente, o laboratório da UFC consegue preparar cerca de 600 peles por mês. A nova unidade deverá alcançar aproximadamente 4,3 mil unidades por dia no primeiro ano, com possibilidade de chegar a 12 mil por dia posteriormente.
Além do impacto na área da saúde, o projeto cria uma nova oportunidade para a cadeia da piscicultura, transformando a pele do peixe, normalmente considerada um subproduto, em matéria-prima de alto valor agregado. A produção deverá utilizar peles provenientes de criatórios de tilápia da região do Castanhão.

As projeções indicam capacidade inicial de processamento de cerca de 180 mil peles por mês, podendo chegar a 400 mil unidades mensais no terceiro ano. O faturamento anual estimado pode alcançar R$ 130 milhões, com possibilidade de destinar até metade da produção ao mercado internacional.
A construção da fábrica está prevista para começar em outubro de 2026, com prazo estimado de 15 a 18 meses para obras, instalação dos equipamentos e validação dos lotes-piloto. A previsão é de início das operações em janeiro de 2028, dependendo do cumprimento das etapas do projeto e das exigências regulatórias e sanitárias da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
O empreendimento também deverá gerar empregos e fortalecer a integração entre pesquisa científica, piscicultura, indústria e saúde. A tecnologia permanece vinculada à UFC e demais cotitulares da propriedade intelectual, enquanto a empresa responsável pela unidade recebeu licença para produzir e comercializar o produto.
Se concluído conforme o planejamento, o projeto poderá transformar um subproduto da produção de tilápia em um insumo de alto valor para a área médica, criando uma nova cadeia industrial a partir da piscicultura brasileira.
Redação: Hedianne Dutra | O GLOBO | Liberdade FM



