Polícia Civil desarticula grupo suspeito de furtar caixas eletrônicos em Mato Grosso

Operação cumpre 74 medidas judiciais em quatro cidades e investiga seis ataques a instituições financeiras; grupo também é suspeito de lavar dinheiro e ocultar a origem dos valores furtados.

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, nesta quinta-feira (5), a Operação Círculo Vicioso, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa interestadual especializada em arrombamentos e furtos de caixas eletrônicos.

Ao todo, são cumpridas 74 medidas judiciais, incluindo 10 mandados de prisão preventiva, 18 de busca e apreensão domiciliar, autorizações para acesso a dados de dispositivos eletrônicos, quebras de sigilo bancário e bloqueios de ativos financeiros que somam aproximadamente R$ 240 mil.

As diligências ocorrem em Cuiabá e Rondonópolis, em Mato Grosso, além de Joinville, em Santa Catarina, e São Luís, no Maranhão, com apoio das forças policiais dos estados envolvidos e da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

As investigações começaram após um furto registrado em janeiro de 2026, em um caixa eletrônico instalado em um supermercado de Várzea Grande. Na ocasião, os suspeitos utilizaram uma lança térmica para romper o cofre do equipamento e conseguiram levar aproximadamente R$ 105 mil, mesmo com o acionamento do sistema de segurança que libera tinta sobre as cédulas.

Durante a apuração, os investigadores identificaram seis ataques com características semelhantes, praticados entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026, em Cuiabá e Várzea Grande. As ações envolviam arrombamento de paredes, uso de lonas para esconder a luminosidade dos equipamentos utilizados e corte dos cofres dos caixas eletrônicos.

Segundo a Polícia Civil, a organização possuía diferentes núcleos responsáveis pela execução dos furtos, retirada da tinta de segurança das cédulas, utilização de equipamentos tecnológicos e movimentação dos valores obtidos ilegalmente.

Após os crimes, os integrantes utilizavam produtos químicos e outros materiais para remover a tinta das notas. Posteriormente, o dinheiro era depositado de forma fracionada em diferentes contas bancárias, estratégia conhecida como smurfing, utilizada para dificultar o rastreamento da origem dos recursos.

A investigação também apontou a participação de integrantes de outros estados, que se deslocavam até Mato Grosso para executar os ataques, além de possíveis conexões com práticas criminosas anteriores no Rio de Janeiro e em Alagoas.

Penalidades previstas em lei

Os investigados poderão responder, conforme a participação individual e as provas reunidas, por crimes como furto qualificado, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

O furto qualificado pode resultar em pena de reclusão de dois a oito anos, além de multa, conforme o artigo 155 do Código Penal. Já o crime de organização criminosa prevê reclusão de três a oito anos e multa, de acordo com a Lei nº 12.850/2013.

A lavagem de dinheiro é punida com reclusão de três a dez anos e multa, conforme a Lei nº 9.613/1998. As penas podem ser agravadas ou aumentadas nas hipóteses previstas na legislação, considerando as circunstâncias e a participação de cada investigado.

As medidas judiciais também autorizam o bloqueio de até R$ 239.980,52 em ativos financeiros, valor correspondente aos prejuízos identificados em quatro dos furtos investigados.

A operação integra as ações da Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento das Organizações Criminosas (Renorcrim), coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Os investigados têm direito à presunção de inocência, e eventuais responsabilidades criminais dependerão da apuração dos fatos e de decisão judicial. 

Redação: Vitória Alves | Liberdade FM.

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