Violência contra pessoas idosas cresce em Mato Grosso e reforça alerta para proteção

Aumento das denúncias de agressões, negligência e abandono mobiliza campanha de conscientização e prevenção em todo o estado

A violência contra pessoas idosas tem chamado a atenção em Mato Grosso diante do crescimento dos registros de agressões e violações de direitos. Dados citados no Atlas da Violência 2026 apontam aumento expressivo das notificações no estado ao longo de uma década.

Em 2014, a taxa registrada era de 20,2 casos por 100 mil idosos. Em 2024, o índice chegou a 44,1 casos por 100 mil, representando crescimento de 118,3% na taxa no período.

Os números também reforçam a preocupação com casos de negligência, abandono e violência dentro do próprio ambiente familiar. Levantamentos apontam que filhos e filhas aparecem entre os principais responsáveis pelas agressões denunciadas, enquanto mulheres e pessoas com 80 anos ou mais estão entre os grupos mais vulneráveis.

Entre janeiro e maio de 2026, a Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos registrou mais de 92 mil denúncias e aproximadamente 536 mil violações de direitos contra pessoas idosas em todo o país.

Em Cuiabá, foram registradas 250 denúncias de violência contra idosos no mesmo período, segundo dados da Delegacia Especializada de Delitos contra a Pessoa Idosa.

O cenário reforça a importância da identificação de sinais de violência e da denúncia de situações de abuso, abandono ou negligência.

Diante desse cenário, a campanha Quebrando o Silêncio 2026 escolheu a proteção da pessoa idosa como tema central. A iniciativa promove ações de conscientização e prevenção em países da América do Sul, incluindo o Brasil.

Em Mato Grosso, o projeto é reconhecido pela legislação estadual e realiza atividades voltadas à orientação de famílias e comunidades sobre os direitos da população idosa.

A campanha também busca valorizar as pessoas idosas, destacando sua experiência, autonomia e contribuição para a sociedade. Materiais educativos são distribuídos gratuitamente em ações comunitárias, escolas e igrejas.

A orientação é que familiares, vizinhos e a comunidade estejam atentos a mudanças de comportamento, sinais de agressão, abandono, exploração financeira ou falta de cuidados básicos. A identificação precoce pode ajudar a interromper situações de violência e garantir proteção às vítimas.

O combate à violência contra a pessoa idosa depende da participação da sociedade, da atuação dos órgãos públicos e, principalmente, da disposição para não ignorar situações de abuso e denunciar casos suspeitos às autoridades competentes.

Redação: Victória Melo | Liberdade FM.

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